As aventuras da montagem de loja

O brasileiro deve ser um dos povos mais inventivos do planeta. Com crise ou sem, quando ele resolve montar um negócio próprio, entra com tudo na ideia! Mas frequentemente peca num quesito: a vitrine. É fácil reparar na quantidade de lojas que abrem quando o país vai mal e o desemprego cresce, mas se tirássemos fotos de cada uma delas, veríamos que são tão parecidas entre si que parecem ser uma “rede” dos mesmos donos.

Pode parecer bobagem, mas o chamariz da loja não é os preços colocados naquelas peças: é a própria fachada. Uma vitrine chamativa atrai os olhares de qualquer público, sejam eles o público-alvo ou não. E como chama! As grandes grifes internacionais sabem disso muito bem e criam verdadeiros cenários em suas entradas para fazer com que os transeuntes sonhem acordados e sejam convencidos a entrar na loja por puro encantamento. Sim, meus amigos, modelos de produtos e preços não são o único tipo de pulo que seu gato pode dar, não!

Vitrine de Vidro

Regras e leis de adequação

Já ouviu falar em precificação? Um precificador é aquela plaquinha com preços que os lojistas colocam nas peças que deixaram expostas na vitrine de suas lojas. Antigamente, se dizia que era melhor deixar sem o preço para “forçar” o cliente a entrar para perguntar o preço – e aí seria criada a oportunidade para o vendedor seduzir o consumidor a comprar aquele produto e mais vários outros. Lembra disso? Pois é. Aquilo acabou.

A lei brasileira deixa claro que agora é obrigatório colocar os preços nos produtos expostos da forma mais detalhada possível: o preço à vista, o número de parcelas e o valor total quando pago parcelado. Sem desculpas nem pretextos. Os lojistas que insistirem em não expor os preços na vitrine estão sendo multados desde o início de 2014. E nada de letras miúdas! O preço tem que estar claro e fácil de ler, sem pegadinhas.

“E se a loja for de roupas e um manequim estiver com look completo? Tenho que botar o preço de tudo?”. Vamos supor que o manequim seja feminino (é sempre o pior cenário, reconheço). Esse manequim está usando salto alto, meia fina, saia, camisa, jaqueta, colar, brinco, pulseira, bolsa e um chapéu. A resposta é: sim, cada um desses itens precisa ter aquela plaquinha com o preço deles. Talvez você esteja pensando: “poxa, mas aí fica feio!”, mas se acalme; existem precificadores discretos que roubam o mínimo de atenção e transmitem a mensagem direitinho.

“E se eu só vendo roupas, mas não o restante do look?”. Uma montagem desse tipo (do exemplo acima) faz o consumidor pensar que ele pode adquirir todas aquelas peças ali, naquela loja, mesmo que ela só anuncie roupas (e não bijouterias, por exemplo). Então, colocar bolsas, sapatos e bijus “só para complementar o look” configura propaganda enganosa.

Deixando a vitrine chamativa

Montar uma vitrine é uma arte que nem todos dominam. Algumas escolas técnicas oferecem cursos de vitrinismo exatamente porque a coisa não é assim tão simples. A função de uma vitrine é chamar a atenção e cativar, atingir o emocional do consumidor, e só colocar alguns manequins com roupas bonitas pode não ser suficiente porque outras lojas provavelmente estão fazendo a mesma coisa. É importante criar um cenário, um arranjo bonito, uma iluminação cativante – e se você pensa que isso custa muito, está enganado! É possível montar vitrines incríveis e harmônicas gastando muito pouco.

Não marque bobeira, hein? Pense que existem vários outros lojistas oferecendo os mesmos produtos que você, e é importante que sua loja chame a atenção mais que a deles. O visual é o primeiro ponto de referência e deve ser trabalhado pra impedir que o consumidor se lembre de qualquer outro. O restante como atendimento, qualidade e preço… bom, ficam para outra conversa.

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