Charutos e Acessórios

Creio poder-se dizer que as últimas décadas foram cruciais para a divulgação e proliferação do consumo de charutos. Embora, desde há muito, o hábito de os fumar fosse apanágio de um grupo restrito de pessoas, o número de apreciadores aumentou significativamente durante este período.

O grande crescimento no consumo dos charutos, e consequentemente na divulgação dos seus acessórios, deu-se na década de 60. A produção e consumo que se verificaram durante estes anos foram apenas igualados com o aumento da procura no mercado mundial que se verificou três décadas depois, nos anos 90, com especial incidência no Continente Europeu e no Extremo Oriente.

Se de início era difícil conseguir encontrar variedade e diversidade de acessórios no mercado, actualmente, o mesmo já não se pode dizer. Transformados em objectos de luxo, os acessórios para charutos começaram a surgir integrados em linhas de acessórios de prestigiadas marcas relacionadas ou não com o prazer de fumar, a Davidoff é um destes casos. Juntamente com a Dunhill e a Dupont, a marca concebida por Zino Davidoff apareceu no mercado internacional com a recuperação económica que se viveu na Europa do pós-guerra.

Estas três marcas, que vieram a ser conhecidas pelos três “Dês”, comercializam, desde então, peças de prestígio para fumadores de charutos. Originárias de três países europeus, Suíça, Inglaterra e França, os três “Dês” criaram o conceito de loja especializada e o prestígio que adquiriram fez com que actualmente se encontrem representadas nas principais capitais dos vários continentes. Até então, e sobretudo desde o século XIX, foram concebidas centenas de peças originais, muitas delas modelos únicos, destinados aos fumadores de charutos.

De entre estas destacam-se os corta-charutos e os cinzeiros, que em dado momento, se tornaram acessórios tão raros e belos que assumiram o estatuto de peças de culto para muitos apreciadores e grandes coleccionadores. Dessa época, não é difícil encontrar peças com os mais diversos e peculiares formatos ou, até mesmo, peças únicas destinadas a altas individualidades governamentais, estrelas de cinema ou reputados fumadores de charuto.

Para além dos objectos acima mencionados, existe outro acessório genérico que surgiu nesta época, os humidificadores. Imprescindíveis para a conservação e manutenção saudável de um charuto, também estas caixas de madeira se tornaram verdadeiras preciosidades. Não só pela sua beleza como, também, pela sua grande utilidade. Para manter a saúde dos seus charutos, é preciso mantê-los num ambiente onde a humidade ronde os 70% e uma temperatura próxima dos 18º C e, caso não resida nas Caraíbas, este só se pode criar artificialmente dentro de um humidificador.

Este tem no seu interior um dispositivo próprio com uma esponja, utilizada para se embeber com líquidos adequados à preservação da humidade e, ainda, um higrómetro com um ponteiro, que nos permite verificar o nível da mesma. As caixas humidificadoras são construídas em madeira, acrílico ou metal, sendo a dimensão mais comum a que se adapta a receber cerca de 50 charutos tamanho corona.

Como já se disse, para os fumadores de charuto os acessórios são de importância primordial. Até mesmo um apreciador recente não pode dispensar, por exemplo, um bom corta-charutos. Não importa se é de plástico ou de prata, o que interessa é que faça uma incisão perfeita e não danifique a capa do charuto. Também é imprescindível possuir um humidificador, para poder manter os seus charutos em perfeitas condições de humidade e temperatura e, ainda, uma charuteira para os transportar sem risco de dano. Ao aumento da procura de charutos e, consequentemente, dos seus acessórios, as marcas especializadas responderam positivamente criando objectos de grande precisão e qualidade para os diferentes tipos de necessidades.

Assim, existem hoje em dia corta-charutos, humidificadores e charuteiras nos diversos materiais e para todos os preços, permitindo deste modo tornar o prazer de fumar acessível a qualquer um. Além do mais, se o fumador e apreciador de charutos der a conhecer à família e amigos a sua predilecção, poderá receber ao longo da sua vida objectos relacionadas com este seu prazer, e assim ampliar a sua gama de acessórios. Para o fumador de longa data, um corta-charutos de plástico de lâmina simples, de lâmina dupla, o fura-charutos, o cortador em “V”, também conhecido como olho de gato ou de lince, e até alguns exemplares de marcas mais reputadas que podem atingir centenas de contos são uma boa opção.

Tal como também o será uma guilhotina de mesa, charuteiras de variados tamanhos, um humidificador de viagem, fósforos para charutos e, cada vez mais, um isqueiro do tipo “maçarico”, que lhe permite acender o seu puro com maior precisão, uniformidade e rapidez. Os fumadores dos nossos dias apreciam e valorizam cada vez mais os acessórios, daí que tenham surgido inúmeras marcas novas e os mais diversificados objectos, alguns bastante curiosos como é o caso de charuteiras em metal com higrómetros incorporados para garantir boas condições de humidade durante o transporte dos charutos e de cinzeiros especiais e herméticos para poder guardar o seu charuto aceso em qualquer momento ou circunstância.

Depois de tudo isto só resta reafirmar que um charuto é um prazer personalizado e os seus acessórios seguem-lhe a regra. Como tal, crie o seu mundo e divirta-se! Existem várias casas de referência de charutos na Europa, Dunhill em Londres, Gerard em Genève, mas cada vez mais as boutiques de aeroporto são o ponto de compra de charutos. Exemplo disso é a “Cava” do aeroporto de Madrid, que seguramente abastece algumas centenas de fumadores do nosso país.

No comments yet.

Deixar uma resposta


*