Eta cloro danado!

Há alguns anos atrás, sofri um acidente de carro e, por isso, sofri danos feios na minha coluna. Fiquei um tempão internada sem poder me mexer direito, usando fralda (eca, isso foi realmente muito ruim), recebendo alimentação na boca (isso foi legal) e decorando toda a grade da tv aberta. Hoje sou a maior defensora de que os hospitais contratem um pacote de tv por assinatura. TV aberta 24 horas por dia é de matar qualquer paciente!!

Mas enfim: muita fisioterapia depois, recebi alta e pude voltar pra minha casa com uma série de restrições. As sessões de fisio continuaram por vários meses – na verdade, até quatro meses atrás – e, finalmente, me liberaram pra voltar a fazer alguma atividade física. Tentei o pilates mas não me adaptei muito bem, porque sou meio ansiosa. Então me liberaram pra fazer hidroginástica; por precaução, meu fisioterapeuta foi conversar pessoalmente com o professor de hidro pra explicar minha situação timtim por timtim e assim evitar que eu triturasse minha recém-recuperada coluninha. E assim foi.

Mas depois de um mês praticando a hidro – que eu amava -, comecei a perceber um ressecamento na pele que eu nunca havia tido antes. Era o cloro. Minha pele sempre foi seca, e aquele cloro todo estava acabando com ela. Uma amiga me dizia sempre que o tal bepantol era bom pra isso e que o preço do bepantol era ainda mais bacana. De fato: toda noite eu passava um pouquinho só pelo corpo e a pele ficava uns 10 anos mais jovem! Hidratadinha, macia, brilhante… um luxo! Mas o drama continuou…

Se fosse só a pele…

Se fosse só a pele estaria muito bom. O problema é que o cloro da piscina também estava afetando outras coisas.

Meu cabelo sempre foi super oleoso então eu nem dava muita atenção. Brincava que aqueles banhos de piscina iriam deixá-lo balanceado e acabar com a oleosidade em excesso. E acabou, mesmo! Acabou com o excesso, acabou com a quantidade ideal, acabou com o mínimo necessário… acabou com tudo! Não cheguei a dois meses de aula e já estava apavorada correndo pro salão da minha best-friend-cabelereira pra ela impedir que eu ficasse careca de vez. E foi ela quem me disse: “e esse cheiro de cloro nele? Você tá nadando?”. Foi como se tivessem pegado um punhado de fichas e tacado tudo na minha cara: “o cloro”.

Eu não estava fazendo nada pelos fios porque achava que a oleosidade era tanta que ela mesma os protegeria. Até certo ponto isso era certo, mas não dura uma vida inteira! Se vocês vissem a bronca que minha cabelereira me deu… Credo… Falou até babar. Ela disse que mesmo quem tem cabelo oleoso precisa usar máscaras e fazer hidratações porque ele também precisa. E em casa, ele também precisa de condicionador! Isso de ele ficar pior com o creme é mito, porque eles são formulados pra não aumentar a oleosidade – aliás, são formulados pra ajudar no controle! Como eu tava sendo besta…

Mas não parava por aí…

Nos olhos dos outros é colírio

O cloro ainda me fez mais vítima ainda. Meus olhos voltavam pra casa em brasa! Nunca consegui nadar de olhos fechados, por mais que tentasse, então fico lá, de olhão aberto debaixo d’água o tempo todo. O resultado era mais que óbvio: os olhos começaram a sofrer uma tremenda irritação. É verdade que a maior parte da aula a gente fica com a cabeça fora d’água, mas eu afundava toda hora por causa da falta de força nas pernas (e também pra me divertir um pouco mais). Quando saía de lá, estava enxergando tudo enevoado – e quando olhava no espelho, parecia que eu tinha puxado um cigarrinho do capeta. Fora o tanto que ardia.

“Menina!! Compra um óculos pra você! Cê vai ficar cega desse jeito!”. De fato, comprei um, todo estiloso e moderninho. Não adiantou lhufas. No primeiro dia, saí da aula com a área dos olhos tão marcada pela pressão dos óculos que na aula seguinte deixei ele mais folgado. Mas aí começou a entrar água dentro e eu tinha que parar toda hora pra tirá-la de lá, perdendo o ritmo da aula. Não voltei mais com os óculos e continuei as aulas sem usá-los.

Aí foi tanto tempo de irritação que, um dia, eu mal consegui abrir os olhos de manhã, tamanha a ardência. Minha mãe me levou ao oftalmologista, que me disse que a córnea estava descamando por causa das irritações. Era uma condição passageira, mas não era bom que eu continuasse submetendo as coitadas a tanto dano.

Aí tive que voltar com os óculos. Por meses, saí da piscina com cara de panda, com aquelas marcas ao redor dos olhos. Fazer o quê… Melhor ficar daquele jeito do que cega, né?… Mas vou te contar: nunca pensei que aquele acidente de anos atrás fosse me dar tanto trabalho!!

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