Em época de crise, planejamento

Poucas foram as vezes em que se viu uma crise tão contundente quanto a atual no Brasil. Rombos impossíveis de dimensionar nas finanças do país associadas a uma profundíssima crise moral na política deixaram a moeda e os rumos abalados e frágeis. O dólar sofreu uma disparada que não se via há muito tempo, as importações e exportações sofreram abalos, as taxas de juros subiram e a inflação tornou a aparecer – ainda que com forte tentativa de contenção para que não se repita a crise desastrosa dos anos 1990.

Isso tudo nos altos escalões. Cá, no escalão dos trabalhadores, o que se vê são promoções que anunciam descontos paupérrimos no varejo e demissões – às vezes em massa – nas empresas, especialmente nas grandes indústrias. Isso piorou após as sucessivas altas na conta de energia elétrica, que encareceu tanto os custos de produção destas indústrias que elas foram forçadas a diminuir o ritmo – e o quadro de pessoal, como consequência. Os pátios das montadoras subitamente se encheram de automóveis zero quilômetro que não desencalhavam nem com consórcio de automóveis, método tradicionalmente bem aceito pelos brasileiros. Aliás, nem com promoções. O preço da gasolina disparou, a porcentagem do álcool na mistura aumento para tentar conter a alta dos preços e isso fez o consumo por quilômetro subir (já que o álcool queima mais rapidamente do que a gasolina). Consequentemente, quem ainda não tinha disposição para arcar com abastecimentos antes, agora tem menos ainda – e quem já tinha está pensando oito vezes antes de trocar o carro atual por um mais potente – e mais gastador.

A perder de vista

Se nas ruas a coisa ficou tão difícil, em casa não está nada diferente. Com o fim da isenção do IPI para os produtos da linha branca (eletrodomésticos), os valores atingiram o patamar normal e as lojas estão repletas de produtos novos. Mesmo com promoções arrasadoras, já não se vê aquela confusão de clientes no interior dos grandes lojistas – nem mesmo com parcelamento sem juros. A conta de luz mais que dobrou na maioria das residências, os produtos de supermercado encareceram porque repassaram seus próprios custos a mais com energia para o produto final e, com isso, a compra do mês passou a ocupar um carrinho menor. Muitas cotas de consórcio de automóveis foram resgatadas antes do tempo para que o dinheiro investido fosse usado em emergências domésticas.

As loucuras de compra não se vê mais assim.

As loucuras de compra não se vê mais assim.

Houve uma debandada de alunos das escolas particulares para as públicas, devido à dificuldade em manter o pagamento das parcelas. Muitas escolas optaram por não aumentar o preço de suas mensalidades, mas nem assim conseguiram conter a saída de alunos. Aquelas com maior caixa ainda conseguem conceder um número maior de bolsas parciais e integrais de estudo, mas as de menor porte não têm como fazer isso sem sofrer sérias consequências no balancete.

A maioria das viagens a passeio realizadas atualmente já vinha sendo paga desde o ano passado, e só agora estão acontecendo; entretanto, se compararmos o número e pacotes fechados nos anos anteriores e nesse, veremos que ele também sofreu uma queda acentuada, principalmente nas viagens para destinos nacionais, tradicionalmente (e inexplicavelmente) mais caras do que muitos destinos no exterior.

Planeje

A palavra de ordem, mais do que nunca, é planejamento. O brasileiro agora conta com um orçamento totalmente novo (não necessariamente melhor), onde continua recebendo o mesmo vencimento mas passou a ter gastos subitamente muito mais altos do que antes.

Calcule sua condição financeira antes de comprar.

Calcule sua condição financeira antes de comprar.

Antes de entrar em um consórcio de automóveis ou residencial, ou mesmo abrir um financiamento, verifique com muito cuidado o orçamento da casa – e insira nesse orçamento uma folga de pelo menos 10% de sobra, caso novos pacotes econômicos do governo venham complicar ainda mais a situação. Na dúvida, não arrisque, pois as regras para inadimplência continuam valendo.

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