Quem tem medo de elevador?

Eu não sei vocês, mas eu sempre tive medo de andar de elevador. Eu morava no sexto andar de um prédio de sete andares no total, e sempre subira e descia à pé. Nada, nenhum argumento do mundo me convencia a entrar naquele caixote prateado esquisitíssimo, sem ar corrente, silencioso, estranho. Muita gente me pergunta se tinha claustrofobia, mas o problema não era esse. Meu medo era aquele treco despencar comigo dentro!  

Hoje em dia eu pego elevadores normalmente, inclusive os panorâmicos (meus favoritos). Mas pra isso, foi preciso meu professor de física me explicar como funciona um elevador timtim por timtim. Ele me levou a um laboratório numa universidade (eu ainda estava com meus 17 anos nessa época) onde havia uma espécie de maquete em escala de um elevador. Era uma mistura estranha de cabos de aço, polias, trilhos, uma confusão que, de primeira, não consegui entender. Mas aí ele foi me explicando…  

Cabos de Aço

Projeto preciso  

Ele começou falando da caixa prateada. Os tamanhos variam de acordo com a necessidade e o volume de uso previsto para cada prédio, então não há exatamente um tamanho padrão. Normalmente usamos elevadores que carregam 6 a 8 pessoas, mas pode-se encontrar outros com capacidade maior – ou até menor, apesar de não ter um custo/benefício interessante. Os habitáculos (o espaço onde ficamos) precisam ter ventilação artificial muito boa e iluminação adequada. Uma forma que encontraram para reduzir os gastos foi usar acabamento prateado no interior; com isso, a luz usada pode ser mais fraca e a limpeza fica mais fácil – os antigos eram cor de creme e sujavam muito.  

Todos os elevadores, por razões de segurança, são feitos de alumínio e outras ligas metálicas que suportam muito peso mas elas, mesmas, não são assim tão pesadas. Isso para não sobrecarregar os motores que movimentam os elevadores – quanto menos peso houve para deslocar, menor o desgaste. Mas na verdade, os motores não precisavam movimentar toda a carga por conta própria: cada elevador é preso a um contrapeso que tem 40% do peso máximo que ele pode transportar. Por exemplo, um elevador que consegue transportar até 1.000 quilos estará ligado por um cabo de aço a um contrapeso de 400 quilos. Isso diminui a força que o motor precisa fazer para subir essa carga toda. O contrapeso só não é mais pesado porque senão colocaria os motores de freio de subida sob stress. Interessante, não é?  

Cabos e freios  

Ok, eu já sabia como ele se movimentava, mas o que me matava de medo era: e se o cabo de aço arrebentar??? Bom, claro que um elevador não fica preso por um cabo só; afinal, se esse cabo se rompesse, a confusão seria grande – mas mesmo assim ninguém chegaria ao chão.  

Ocorre que cada elevador fica ligar ao contrapeso por três cabos. Se um arrebentar, os outros dois dão conta de trazer o habitáculo até o térreo para que todo mundo desça com segurança. E sim, esses dois cabos segurariam a carga total, são projetados pra isso.  

“Mas e se os três cabos arrebentarem? Tipo, se um terrorista for lá e der uma machadada neles?”. É, meus amigos, eu fiz essa pergunta, e com os olhos arregalados. Meu professor deu uma sonora risada (era um homenzarrão de mais idade, e tinha um vozeirão que se ouvia no prédio inteiro). Ele me colocou dentro do habitáculo da maquete e, com o motor, fez o elevador subir por pouco menos de dois metros. Como estava baixo e com a porta aberta, eu podia ver tudo e sabia que estaria seguro. De repente, ele apertou um botão que fez com que os cabos se desconectassem do habitáculo, e ele começou a cair – mas parou antes de encostar no chão. Na verdade, parou beeem antes de chegar no chão. Ok, ele deve ter caído uns 50 centímetros só, eu admito. Mas quase enchi as calças de… deixa pra lá.  

Enquanto ele ria, eu me recuperava do susto. Quando finalmente normalizamos, ele me pediu pra conferir a distância que estava do chão e, depois, que eu descesse. Quando desci ele me mostrou o sistema de freios que fica debaixo do habitáculo: hastes que são acionadas automaticamente quando os cabos de aço se rompem e se agarram em trilhos laterais. E pelo visual, dava pra notar que elas suportariam parar uma tonelada de carga durante a queda – até porque elas acionavam tão rápido não daria tempo para ganhar muita velocidade. O sistema realmente é muito eficiente. Mas para confirmar, ele chamou mais quatro alunos, entrou com eles no habitáculo e repetiu o teste. O freio de emergência funcionou perfeitamente. Tornou a fazer, e de novo, e mais outra vez. Até que me dei por convencido.  

Desse dia em diante, perdi o medo dos elevadores, mas fui começando a usá-los gradualmente. Hoje em dia, eu tenho é preguiça de escadas!  

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