A vida de Mata Hari

Mata Hari, cujo verdadeiro nome era Margaretha Geertruida Zelle, nasceu em Leeuwarden na Holanda, em 7 de agosto de 1876, filha de Adam Zelle, um vendedor de chapéus que foi a falência devido a maus investimentos, e de Antje Zelle, que adoeceu e morreu quando Mata Hari tinha apenas 15 anos de idade. Depois da morte de sua mãe, Mata Hari e seus três irmãos foram separados e enviados para viver com parentes diferentes.

Ainda jovem, Mata Hari decidiu que a sexualidade era o seu ponto forte, e por volta de 1890, ela respondeu a um anúncio de jornal que procurava uma noiva para Rudolf MacLeod, um capitão militar careca e de bigode que vivia nas Índias Orientais Holandesas. Ela enviou uma foto impressionante de si mesma, com cabelos negros e pele morena, para seduzir o capitão. A diferença de idade entre os dois era de 21 anos e eles se casaram em 11 de Julho de 1895, quando Mata Hari tinha apenas 19 anos. Os nove anos de casamento foram marcados pelas bebedeiras de MacLeod e seus ataques de raiva pela atenção que sua esposa recebia de outro oficiais. Mata Hari e MacLeod tiveram dois filhos, um casal, mas o menino morreu em 1899, envenenado por um empregado doméstico nas Índias Orientais. As razões do assassinato da criança ainda não foram esclarecidas.

No início de 1900, o casamento de Mata Hari tinha se deteriorado, seu marido fugiu com a filha, e Mata Hari, sozinha, foi morar em Paris onde se tornou amante de um diplomata francês que apoiou sua ideia de ser dançarina.

Dançarina exótica

O oriente era moda na Paris de 1905, e a cidade parecia pronta para a aparência exótica de Mata Hari e a sua “dança do templo” cheia do simbolismo cultural e religioso que ela visto nas Índias. Mata Hari não perdeu o momento, ele se apresentava como uma artista hindu, envolta em véus que artisticamente deslizavam e caiam de seu corpo durante a dança. Em uma apresentação memorável em um jardim, Mata Hari se apresentou quase nua em um cavalo branco. Mata Hari ousadamente mostrava as nádegas, que na época eram consideradas as partes mais sensuais do corpo, mas era muito modesta sobre os seios e na maior parte das apresentações os mantinha cobertos. Para completar sua dramática transformação de esposa de militar em dançarina do oriente, ela cunhou seu nome artístico, “Mata Hari”, que significa “olho do dia” em indonésio.

Mata Hari levou os salões de Paris a loucura, e depois se apresentou sob as luzes brilhantes de outras cidades. Em sua trajetória ela cativou os críticos e ajudou a transformar o strip-tease em uma forma de arte. Um repórter em Viena descreveu Mata Hari como “magra e alta, de cabelo negro azulados e com a graça flexível de um animal selvagem”. Seu rosto, o jornalista continua, “transmite uma impressão estrangeira estranha”. Outro jornalista, encantado, disse sobre ela: “tão felina, extremamente feminina, as mil curvas e movimentos de seu corpo tremendo em mil ritmos eram majestosas”.

Mas em poucos anos Mata Hari quase tinha desaparecido, com dançarinas mais jovens subindo ao palco, suas apresentações eram esporádicas e ela suplementava sua renda como acompanhante de luxo, seduzindo políticos e militares. O sexo era apenas uma praticidade financeira para ela. Apesar da grande tensão na Europa durante os anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial, Mata Hari não estabelecia fronteiras entre ela e seus amantes, entre os quais haviam muitos oficiais alemães. Como a guerra varrendo o continente, ela teve alguma liberdade por ser cidadã da Holanda, que era um país neutro, e tirou o máximo proveito disso. Em pouco tempo as viagens e telefonemas de Mata Hari atraiam a atenção de inteligência britânica e francesa, que a mantinham sob vigilância.

Espionando para a França

Agora, com quase 40 anos, seus dias de dançarina estavam definitivamente no passado e Mata Hari finalmente encontrou o amor com um capitão russo, Vladimir de Masloff em 1916. Durante o namoro, Masloff foi enviado para a frente de batalha onde uma lesão o deixou cego de um olho. Determinada a ganhar dinheiro para ajudá-lo, Mata Hari aceitou o trabalho lucrativo de espionar seus clientes alemães para a inteligencia Francesa.

Mata Hari depois insistiu que ela planejava seduzir oficiais para abrir caminho até o alto comando alemão, obter segredos militares e entrega-los aos franceses, mas ela nunca chegou tão longe. Ela conheceu um oficial alemão e começou a contar partes de fofocas na esperança de obter algumas informações valiosas em troca, e ele acreditou nas fofocas de Mata Hari e a nomeou como uma espiã alemã em comunicados que enviou para Berlin e que foram interceptados pelos franceses. Alguns historiadores acreditam que os alemães suspeitavam que Mata Hari era uma espiã francesa e por isso enviaram mensagens falsas onde se referiam a ela como uma espiã alemã, eles sabiam que as mensagens seriam facilmente descobertas pelos franceses. Outros acreditam que ela era na verdade uma agente dupla, trabalhando simultaneamente para franceses e alemães. Em todo caso, as autoridades francesas prenderam Mata Hari por espionagem em Paris, em 13 de fevereiro de 1917, e a colocaram em uma cela infestada de ratos na prisão de Saint-Lazare, onde ela foi autorizada a ver apenas o seu idoso advogado, que era um ex amante.

Durante os longos interrogatórios conduzidos pelo capitão Pierre Bouchardon, um promotor militar, Mata Hari que por muito tempo viveu uma vida inventada, embelezava muito as histórias sobre seu paradeiro e atividades. Eventualmente, ela deixou cair uma confissão definitiva: Um diplomata alemão já tinha pago vinte mil francos para que ela reunisse informações em suas frequentes viagens a Paris. Mas ela jurou aos investigadores que ela nunca cumpriu o negócio e sempre permaneceu fiel a França. Ela disse que simplesmente viu o dinheiro como uma compensação por perder sua bagagem e algumas peles em um trem que estava partindo enquanto guardas da fronteira alemã a incomodavam. “Prostituta, eu admito. Uma espiã, jamais”, ela, desafiadoramente disse a seus interrogadores. “Sempre vivi de amor e prazer”.

O julgamento de Mata Hari

O julgamento de Mata Hari veio em um momento em que os aliados estavam falhando em deter os avanços alemães. Espiões, reais ou imaginários, eram bodes expiatórios convenientes para explicar as perdas militares, e a prisão de Mata Hari acabou sendo conveniente naquele momento. Seu chefe, o capitão Georges Ladoux, fez com que as provas contra ela fossem construídas da forma mais condenável, informando até mesmo que cometeu adultério com ela, para condená-la mais profundamente.

Quando Mata Hari admitiu que um oficial alemão pagou por favores sexuais, os procuradores disseram que era dinheiro por espionagem. Além disso, ela alegou que recebia dinheiro regularmente de um barão holandês mas isso foi retratado no tribunal como dinheiro dos espiões alemães. Esse barão holandês amoroso, que poderia ter esclarecido a verdade, nunca foi chamado para depor. Nem a empregada de Mata Hari, que atuou como intermediária no recebimento do dinheiro do barão. A moral de Mata Hari conspirou contra ela. “Sem escrúpulos, acostumados a fazer uso de homens, ela é o tipo de mulher que nasceu para ser uma espiã”, concluiu Bouchardon, que enviou suas entrevistas com Mata Hari para o ministério público.

O tribunal militar deliberou por menos de 45 minutos antes de dar o veredicto de culpada. “É impossível, é impossível”, Mata Hari exclamou, ao ouvir a decisão.

A morte de Mata Hari

Mata Hari foi executada por um pelotão de fuzilamento em 15 de Outubro de 1917. Vestida com um casaco azul e um chapéu, ela tinha chegado ao local da execução em Paris com um padre e duas freiras e, depois de se despedir, caminhou a passos largos até o local designado. Ela se virou para enfrentar o pelotão de fuzilamento, afastou a venda dos olhos e soprou um beijo aos soldados. Ela foi morta quando os vários tiros explodiram. Outra versão da história diz que depois de mandar um beijo para os soldados ela abriu a túnica que vestia e morreu completamente nua. Uma terceira verão da morte de Mata Hari conta que o pelotão de fuzilamento precisou ser vendado para que os soldados não fossem seduzidos pelo charme da moça e relutassem em atirar.

Foi um fim improvável para a dançarina exótica e prostituta, cujo nome acabou virando uma metáfora para espiã que arranca segredos de seus amantes. Sua execução mereceu uma escassa nota de quatro parágrafos no The New York Times, que a chamou de “uma mulher de grandes atrativos e com uma história romântica”.

O mistério continua rondando a vida de Mata Hari e sua história acabou virando uma lenda que ainda desperta curiosidade. Sua vida tem inspirado muitas biografias e filmes, incluindo, o mais famoso, de 1931, estrelado por Greta Garbo no papel da acompanhante e dançarina.

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