Asma: Tratamento, causas, sintomas e formas de prevenção

O que é? A asma é uma doença das vias respiratórias. A maioria dos casos ocorre em pessoas alérgicas, indivíduos cujo sistema de defesa do organismo reage de forma excessiva e despropositada a substâncias externas geralmente inofensivas (alergénos). Sempre que há exposição a algo a que se é alérgico, as vias respiratórias ficam inflamadas (vermelhas e inchadas) e apertadas, dificultando a passagem do ar.

asma é uma inflamação das vias respiratórias

Esta doença pode surgir em qualquer idade mas é mais frequente o seu aparecimento no início da vida. Cerca de 50% dos casos desenvolve-se antes dos 10 anos e 1/3 dos restantes antes dos 40 anos.

Quais as causas

As vias respiratórias do indivíduo asmático são mais sensíveis a determinadas substâncias, para as quais a maioria das pessoas não apresenta qualquer reacção.

Como agentes causais principais encontram-se:

  • fumo de tabaco (é um dos agentes mais comuns);
  • ácaros do pó da casa;
  • cães e gatos (partículas da pele);
  • certos alimentos e aditivos (por exemplo, ovos, bebidas de cola, corantes);
  • bolor;
  • ar frio;
  • odores e vapores fortes (por exemplo, tintas, perfumes, lacas, produtos de limpeza);
  • poluição do ar (por exemplo, escapes de automóveis);
  • medicamentos;
  • constipações;
  • estresse emocional.

Quais os sintomas

A crise de asma caracteriza-se por três queixas fundamentais, que aparecem de forma súbita e que poderão ir agravando-se progressivamente:

  • sensação de falta de ar;
  • pieira (“gatinhos”);
  • tosse seca e irritativa.

O doente apresenta-se ansioso, com respiração rápida e ofegante, queixando-se de sensação de aperto no peito. À medida que a crise se vai agravando, podem surgir queixas de suor intenso, palpitações e cansaço marcado.

Numa fase muito avançada, o indivíduo começa a respirar menos vezes, porque os músculos do peito estão cansados do esforço desenvolvido para manter a respiração, surgindo confusão, sonolência e pele de cor azulada (ao nível dos dedos, lábios e língua), que traduzem uma diminuição grave de oxigénio no sangue, requerendo tratamento emergente.

As crises de asma variam em frequência e em intensidade.

Como se diagnostica

A base do diagnóstico médico da asma é o conjunto de queixas características referidas pelo doente. No entanto, o médico pode socorrer-se de exames auxiliares de diagnóstico, particularmente na primeira crise e sempre que se apresentem outros sintomas associados. Os exames mais frequentemente utilizados são:

  • análises ao sangue, com determinação de algumas substâncias que indicam predisposição para alergia e determinação do nível de oxigénio e dióxido de carbono no sangue (gasimetria);
  • radiografia do tórax;
  • espirometria – exame que tem por finalidade medir a quantidade de ar deitada fora do pulmão no espaço de um segundo;
  • testes de alergia cutânea – ajudam a identificar as principais substâncias a que o individuo é alérgico;
  • testes de provocação por inalação – comparam-se os valores apresentados pelo espirómetro antes e após inalar uma solução em que está diluído um alergéneo.

Como se desenvolve a asma

Na maioria dos casos (50-80%), a evolução da doença é benigna, particularmente quando a doença é ligeira e se inicia na infância. A maioria das crianças, no entanto, tem asma durante aproximadamente 7 a 10 anos após o seu início, embora poucas continuem a ter doença grave.

Nos adultos que desenvolvem a doença, cerca de 50% irão melhorar à medida que envelhecem, existindo casos de remissão espontânea.

Tratamento para asma

ipratropio inalador para crises de asma

Existem essencialmente dois tipos de medicamentos que podem ser prescritos pelo médico com o objectivo de melhorar as queixas do doente: os broncodilatadores e os anti-inflamatórios.

Broncodilatadores

São fármacos que dilatam as vias respiratórias melhorando o fluxo de ar; são utilizados com o objectivo de aliviar os sintomas. Estes medicamentos devem ser tomados através de inaladores, para que tenham uma acção mais directa. Em certos casos poderá estar indicada a forma oral (em comprimidos).

Numa asma ligeira, com crises esporádicas, são administrados broncodilatadores de curta acção, apenas quando surgem as queixas. Quando os sintomas são mais frequentes ou permanentes, é necessária a prescrição de uma medicação de carácter preventivo. Nos casos em que é aparente uma relação de causa-efeito entre o exercício fisíco e uma crise de asma deve ser aconselhada fazer a toma do broncodilatador antes da actividade física.

Anti-inflamatórios

Este é o grupo mais importante porque visa reduzir a inflamação das vias aéreas, que é a base patológica da asma. São fármacos de carácter preventivo, com pouco efeito no alívio das crises. Na maioria dos asmáticos, são tomados através de um inalador, queixando-se alguns doentes de sensação de garganta seca. A frequência das tomas depende da gravidade dos sintomas.

A sua correcta utilização diminui a necessidade de broncodilatadores. Nos casos de asma grave há a possibilidade de serem prescritos sob a forma de comprimidos, cuja dose poderá ir diminuindo gradualmente de acordo com a melhoria registada. Nunca devem ser parados subitamente.

Como prevenir as crises de asma

A primeira atitude é aconselhar o doente a evitar as substâncias que se julgam ser a causa da crise de asma. Pode ser difícil a identificação exacta dessas substâncias, porém, irritantes gerais como, por exemplo, o fumo do tabaco, devem ser evitados.

É importante manter a casa limpa, arejada e livre de humidade; deverão evitar-se tapetes e carpetes nos quartos. Os animais domésticos também não são aconselhados.

Deve ser incentivada a adesão à terapêutica e a correcta utilização dos inaladores. O doente deve aprender a auto-avaliar-se. O aparecimento mais frequente de sintomas, ou o seu predomínio nocturno, e a menor eficácia da medicação inalada, são sinais de agravamento da doença.

A avaliação regular da quantidade de ar expirado, através de um pequeno aparelho que o asmático pode ter em casa («peak-flow meter«), deve também ser incentivada.

Doenças comuns como diferenciar

As principais doenças que se podem confundir com a asma são: a pneumonia, a bronquite aguda, a presença de corpo estranho nas vias respiratórias, a embolia pulmonar no pulmão e a insuficiência cardíaca descompensada. A pneumonia aparece com febre e alterações sugestivas de infecção na radiografia do torax.

A bronquite aguda também surge associada a febre, expectoração amarelo-esverdeada e escassas alterações na radiografia do torax.

Deve suspeitar-se de presença de corpo estranho nas vias respiratórias, se o doente conta uma história sugestiva de aspiração de algo.

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