Como Prevenir um AVC (acidente vascular cerebral)

O que é o AVC (acidente vascular cerebral)? Um dos centros fundamentais do nosso corpo é o coração. Manter a máquina bem oleada é sinónimo de a ajudar a nunca parar e também de reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, como é o caso do acidente vascular cerebral.

Ele acontece sem avisar e compromete subitamente as funções do cérebro, devido a várias alterações. Os acidentes vasculares cerebrais ocorrem quando uma das artérias que leva o sangue ao cérebro bloqueia, ou por causa da formação de um coágulo, ou por haver alguma rotura da artéria fazendo com que o cérebro deixe de receber o fluxo de que precisa.

As células nervosas da área atingida deixam de funcionar, e podem morrer em poucos minutos. As partes do corpo comandadas por aquelas células ficam paralisadas, total ou parcialmente, em alguns casos para o resto da vida, mas, noutros mais leves, conseguem até uma recuperação total.

O que é o AVC

Consequências

A incapacidade causada por um AVC tem consequências graves, nomeadamente problemas de rejeição social. O acidente vascular cerebral chega a atingir três em cada mil habitantes da Europa. Nas pessoas com idades superiores a 75 anos, a probabilidade de incidência de um AVC aumenta, podendo afectar 30 em cada 1000 habitantes.

Como Prevenir um AVC

Como Prevenir um AVC

Nunca é de mais repetir: os acidentes vasculares cerebrais são uma das principais causas de incapacidade em todo o Mundo. Ir ao médico regularmente, deixar de fumar, fazer exercício, comer para viver e não viver para comer são conselhos que estamos sempre a ouvir. E vale a pena tentar pô-los em prática. Aqui fica uma lista de medidas que ajudam a prevenir e afastar este terrível fantasma.

  • Perder o excesso de peso
  • Reduzir o consumo de álcool e de sal. Bastaria reduzir o consumo diário de sal em três gramas (os Portugueses por exemplo, consomem uma média diária de 18 gramas, quantidade bem superior à média europeia), para acontecer uma descida de 10 mmHg da pressão arterial, que se traduziria numa queda da incidência de acidente vascular cerebral na ordem dos 22% e de doença coronária na ordem dos 16%.
  • Deixar de fumar
  • Praticar exercício físico com regularidade
  • Vigiar a pressão arterial e o grau de colesterol
  • Em alguns casos, os médicos aconselham a fazer medicação diária

Quais as causas

Os acidentes vasculares cerebrais estão muito relacionados com a hipertensão arterial. A experiência médica já demonstrou que o risco cardiovascular aumenta à medida que os níveis da pressão arterial sobem. Os riscos associados à hipertensão arterial são uma ameaça muito clara: provoca lesões no cérebro, coração e rins.

Uma pessoa é considerada hipertensa quando apresenta uma pressão arterial repetidamente superior ou igual a 140 mrnHg para a sistólica e/ou 90 rnrnHg para a distólica.

Mas, para certos doentes, como diabéticos, doentes renais ou com doença cardiovascular, recomenda-se que tenham valores mais baixos.

Por outro lado, os estudos de tratamento da hipertensão arterial comprovam ser possível reduzir o risco de acidente vascular cerebral em mais de 40%, da insuficiência cardíaca em 50% e de enfarte do miocárdio em 26%.

Fatores de Risco do AVC

Há muitos doentes com acidente vascular cerebral que têm fatores de risco bem identificados para terem doenças vasculares algum tempo antes do AVC. Assim, pode reduzir-se a incidência do AVC, reduzindo a prevalência dos fatores de risco na população e identificando os indivíduos de alto risco, podendo assim tratá-los. Vamos enumerar os factores de risco, começando pelos que são definitivos e que não podem ser modificados:

Idade: é o factor de risco mais importante para ter AVC.

Sexo: há mais prevalência de AVC nos homens, especialmente na meia idade.

Fatores genéticos: num pequeno número de casos, a herança genética pode estar na origem do AVC.

Por outro lado, os investigadores identificaram os fatores de risco definitivos, mas que podem ser modificados:

Hipertensão: à cabeça da lista, está, obviamente, a hipertensão arterial. Um hipertenso de qualquer idade pode ter AVC.

Tabagismo: o tabaco é um fator de risco importante em alguns tipos de AVC. Sabia que dois ou três anos depois de ter deixado de fumar, os riscos de AVC são idênticos aos de um não fumador?

Diabetes mellitus: a diabetes mellitus é um fator de risco para a doença vascular em geral. O diabético tem o dobro do risco de ser acometido po rAVC em comparação com o não diabético. ..

Doença cardíaca: a doença cardíaca, que é potencialmente embolígena, é um fator de risco para o AVC, em especial a fibrilação (tremor do músculo auricular) e a doença valvular.

Estenose das artérias pré-cerebrais: a estenose ( constrição de um canal orgânico) de origem da artéria carótida interna, bem como de outras artérias pré-cerebrais, é um factor de risco para o acidente vascular cerebral.

Álcool: o consumo de pequena quantidade de álcool não é um fator de risco para o AVC. Mas o consumo excessivo de álcool já o é, particularmente para as hemorragias cerebrais.

Está também identificado um grupo de fatores de risco prováveis para a ocorrência do AVC. São os seguintes:

Lípidos: a maioria dos estudos indica que níveis séricos elevados de colesterol aumentam ligeiramente o risco de AVC isquémico (isquemia é a paragem da circulação arterial).

Fibrinogénio e hematócrito: a presença elevada destas duas substâncias aumenta ligeiramente o risco de acontecer um AVC.

Obesidade: a obesidade abdominal, embora associada a outros fatores de risco, é, só por si, um factor de risco para o AVC.

Hormonas sexuais femininas: o risco absoluto de problemas vasculares sérios nas mulheres que fazem contracepção oral é muito pequeno, excepto se elas são fumadoras e têm mais de 30 anos. A terapia hormonal de substituição nas mulheres pós-menopausa não parece aumentar o risco de AVC e pode mesmo diminuir o risco.

Sedentarismo: a falta de exercício físico regular é um fator de risco para o AVC.

Dieta Mediterrânica

Uma dieta saudável não é o fator de cura de uma doença cardiovascular, mas ajuda a diminuir as probabilidades de a contrair. A dieta mediterrânica, tão próxima dos portugueses e instalada no Mediterrâneo lá cerca de quatro mil anos, é um exemplo de como a alimentação pode ajudar na prevenção de doenças.

É que, de acordo com vários estudos científicos, a gastronomia mediterrânica pode ajudar a prevenir doenças do coração, bem como o câncer do cólon e câncer de mama.

De acordo com esses estudos, principalmente os que foram conduzidos em 1997 pela Universidade de Bordéus, França, os pratos típicos da culinária do mediterrâneo permitem controlar o peso e manter baixos os níveis de colesterol.

As bases da gastronomia mediterrânica são o azeite, o trigo, os legumes e as verduras. O consumo de azeite, que é um ácido gordo monoinsaturado, normaliza a taxa de colesterol no sangue e por conseguinte, inibe a formação de placas de gordura nas cavidades arteriais, o que ajuda a reduzir o risco de aparecimento de doenças cardiovasculares.

De acordo com vários especialistas em nutricionismo, as virtudes da culinária mediterrânica residem no facto de esta conter baixos níveis de gorduras saturadas, tais como carne vermelha e lacticínios gordurosos.

Os estudos feitos pela Universidade de Bordéus permitiram concluir que uma alimentação feita com base na dieta mediterrânica pode prevenir até 70% o risco de um segundo enfarte do miocárdio. O trabalho feito junto de 600 pacientes levou os investigadores a concluírem que a dieta é muito mais eficaz do que uma dieta convencional na prevenção de ataque cardíaco e morte após um primeiro enfarte.

Outras investigações concluíram que tanto os ácidos ómega 3, como os antioxidantes, proteínas vegetais e outras substâncias presentes no peixe, legumes, frutas e cereais, ajudam a reduzir os níveis de colesterol.

Características da dieta mediterrânica:

  • Ingestão esporádica de carne de porco (poucas vezes por mês)
  • Ingestão de carne de aves todas as semanas
  • Um copo de vinho tinto por dia ou seis copos de água diários
  • Ingestão de peixe todas as semanas Azeite na confecção dos alimentos
  • Frutas, feijão e verduras todos os dias “” Pão, massas, arroz, grãos e batata

E como nem só de comida vive o homem, uma dieta assim só fica completa com exercício físico diário.

Acompanhamento Médico

Um acompanhamento médico regular é uma prática que não pode ser descuidada. Um estudo conduzido pelo projeto Coração Feliz (iniciativa conjunta da Federação Portuguesa de Cardiologia e da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral) revelou que:

  • cerca de metade dos inquiridos afirma saber quando a sua tensão arterial está alta sem necessidade de a medir;
  • mais de metade das pessoas inquiridas acha que a hipertensão arterial é uma doença com cura;
  • só um terço dos hipertensos portugueses está controlado;
  • um terço dos que sabem ser hipertensos não toma a medicação;
  • um quarto dos hipertensos medicados faz pausas na medicação.

Os nossos Antepassados

Ainda hoje me lembro vagamente das histórias contadas pela minha bisavó, nas noites quentes do fim do Verão e de como se dançava ao ar livre nas romarias. Quem diria que a velha senhora chegou a comemorar o primeiro século de vida sem uma única doença e com um coração de leão.

Nascida no século XIX, ela nunca fumou, não conheceu o buraco do ozono, raramente andou de carro, nunca pôs os pés dentro de um avião.

Mas nós temos a hipótese de diminuir alguns dos efeitos negativos que fatores como a poluição, o tabagismo e uma má alimentação apresentam sobre o nosso organismo. A nosso favor, temos também os resultados da evolução das investigações médicas relativamente a estas patologias.

Detetar, prevenir e, em último caso, recuperar são três fatores essenciais quando se fala em AVC, a terceira causa de morte entre as patologias clínicas e a mais frequente causa de morbilidade a seguir à doença de Alzheimer.

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