Dependência alcoólica: Causas, Sintomas e Tratamentos

Dependência idêntica à que existe em relação às drogas, a dependência alcoólica ou alcoolismo, é uma doença que afecta indivíduos das mais variadas idades e classes sociais.

O que é? O álcool, após ingerido e absorvido é metabolizado sobretudo a nível do fígado. Possui uma acção central inicialmente estimulante mas, em doses exageradas, pode provocar depressão do sistema nervoso central. A acção do álcool sobre o nosso organismo possui uma variação individual e depende muito da massa corporal.

alcoolismo, problemas na dependência do álcool

A dependência alcoólica adquire um carácter de toxicomania definindo-se pela necessidade de ingestão de álcool com um aumento progressivo da quantidade ingerida e com dependência psíquica e física.

Quais as causas do Alcoolismo

O alcoolismo inicia-se com a utilização social das bebidas alcoólicas. A ingestão do álcool é o principal elemento para o alcoolismo. Existem depois vários factores que podem facilitar a dependência do álcool: factores individuais, psicológicos, factores externos, meio e modo de vida do alcoólico, e também a constituição genética tendo em conta que existe uma grande variação individual na tolerância do álcool.

Quais os sintomas da dependência alcoólica

Silhouette of an alcoholic

Silhouette of an alcoholic

O alcoolismo causa uma dependência psíquica e física ao álcool, a necessidade e a vontade de ingerir bebidas alcoólicas. Na ausência de tal acto podem surgir sintomas como irritabilidade, tremores, suores ou mesmo, nas situações mais graves, um quadro delirante, delirium tremens.

Na sua forma aguda, a toxicidade do álcool possui um efeito directo sobre o sistema nervoso central e, dependendo da quantidade ingerida, o doente vai apresentando de forma evolutiva um estado de embriaguez, excitação psicomotora, euforia, tensão e ansiedade, para surgir depois alguma agressividade e, finalmente, um estado de depressão central com diminuição da capacidade de atenção, da coordenação motora, e da sensibilidade sensorial.

Podem surgir ainda enjoos, vómitos e palpitações. A situação pode culminar com sensação de sono profundo e, raramente, coma ou mesmo morte por depressão profunda do sistema nervoso central. Pode ainda causar convulsões.

Diagnóstico de dependência alcoólica

Na presença dos sintomas acima referidos não existem muitas dúvidas para estabelecer o diagnóstico. Não existem exames complementares para confirmar o diagnóstico mas sim para despistar a existência de complicações associadas ao consumo do álcool, nomeadamente a nível do fígado onde pode surgir uma situação de sobrecarga hepática, hepatite e mesmo cirrose alcoólica.

Com a instalação progressiva da insuficiência hepática podem surgir várias complicações tais como, varizes esofágicas, alterações da coagulação, ascite (líquido do abdómen), má nutrição, alterações das proteínas plasmáticas, repercussões sobre o sistema nervoso central e lesões a nível da pele.

A ingestão crônica de álcool faz aumentar o risco de câncer da orofaringe, do esófago e do fígado. Podem ocorrer complicações cardíacas, anemia, diminuição das plaquetas, alterações das células brancas do sangue e alterações electrolíticas que podem facilitar um quadro de adinamia e miopatia alcoólica (doença muscular por toxicidade alcoólica).

Nas suas formas mais complicadas de dependência alcoólica pode ser acompanhado de toxicidade nervosa central e periférica, demência e encefalopatia.

Tratamento da dependência alcoólica

O tratamento do alcoolismo necessita de um trabalho multidisciplinar – psiquiatria, psicologia, apoio social e familiar, hepatologia, medicina interna e gastro-enterologia. A atitude médica vai depender do estado do doente e das complicações que apresentar. Pode limitar-se a apoio psicológico e à promoção da prevenção ou pode requerer o internamento do doente, mesmo numa Unidade de Cuidados Intensivos – casos de intoxicação aguda, doentes com complicações graves de ingestão crônica do álcool e doentes em estado de coma.

Formas de prevenção

A prevenção deve ser iniciada desde a idade jovem. As crianças devem ser alertadas para os perigos do consumo exagerado do álcool. Deve proibir-se a utilização do álcool na idade considerada de menoridade; esta medida já existe em muitos países europeus e nos Estados Unidos e vai ser instituída em Portugal. Os estabelecimentos de consumo de bebidas alcoólicas não devem localizar-se junto das escolas ou dos estabelecimentos de ensino.

Deve-se desmotivar as pessoas em relação ao consumo exagerado de álcool e dificultar o acesso ao álcool nas situações de risco como nas auto-estradas ou vias rápidas ou, ainda, durante a actividade profissional.

O tratamento imediato das fases iniciais do consumo exagerado do álcool deve ser promovido, assim como a vigilância cuidadosa dos doentes mais complicados.

Existe uma outra fase de intervenção que inclui medidas sociais de reintegração familiar e social da pessoa dependente do álcool.

A participação em grupos de Alcoólicos Anónimos é uma boa medida para prevenção secundária (doença) e terciária (recaída) do alcoolismo.

Consequências do Alcoolismo

alcoolismo

A dependência alcoólica pode ter importantes repercussões familiares, laborais, na criminalidade e na condução. Todos estes aspectos são importantes pois pode-se correr o risco de destruir uma família, interferir com a educação dos filhos, perder o emprego ou ser desvalorizado no emprego e ainda ter muita dificuldade em arranjar um emprego.

Pode-se ainda correr o risco de provocar graves acidentes de viação ou de ter comportamentos anormais que são considerados como ilegais. Não se recomenda o consumo de álcool durante a gravidez pois o risco de surgirem malformações fetais, ou atraso de crescimento intra-uterino provocados pela toxicidade alcoólica é muito grande.

O tipo de personalidade é um elemento fundamental na génese do alcoolismo.

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