Evolução da Homeopatia: Algumas noções históricas

A homeopatia possui características próprias que lhe conferem o estatuto de sistema clínico e nunca de uma simples terapêutica.

A homeopatia é um sistema clínico vitalista e autónomo e não uma terapêutica como se poderá pensar. No entanto, contêm uma terapêutica, uma farmacologia experimental, uma semiologia própria (método de análise do paciente).

Tem, também, uma doutrina filosófica que tem como base o dinamismo vital e que diz que todo o ser vivo é animado de uma energia vital que lhe confere a sua homeostase (o seu equilíbrio orgânico), e que as doenças são em primeiro lugar resultantes de disfunções dessa mesma capacidade vital perante agentes agressores muito variados.

Na linguagem científica actual poder-se-ia definir esta capacidade vital como equilíbrio psico-neuro-imuno-endócrino (também designado como mesodiencefálico). Todas estas características próprias tornam a homeopatia um sistema clínico e nunca uma simples terapêutica.

Evolução da Homeopatia

Evolução da Homeopatia

Algumas noções históricas:

A homeopatia iniciou-se com Hipócrates, o primeiro médico e percursor do Natura Medicatrix, a medicina naturopática, que observava na natureza a forma de curar as doenças. Nas suas observações minuciosas verificou que a cantárida que produzia um síndrome de irritação urinaria hemorrágica (com sangramento), era capaz de curar a cistite comum (hoje, cerca de 2000 anos depois, ainda se verifica esta actividade). Estavam dados os primeiros passos da medicina pelos semelhantes, como a definiu, que mais tarde viria a ser codificada como homeopatia.

A codificação da homeopatia deve-se a um homem chamado Hans Christian Samuel Hahnemann, nascido em Meissen em 1755 e que vem morrer em Paris em 1843. Hahnemann estuda medicina, e forma-se com distinção. No entanto, fica desencantado com as práticas médicas da época, tais como as flebotomias (sangramentos), que segundo ele no Organon, a sua obra doutrinária, critica como práticas que apenas aceleravam a morte ( o que aliás é verdade).

Abandona a prática de medicina para se dedicar ao estudo do Natura Medicatrix Hipocrático. Forma-se em línguas e suporta os seus estudos com traduções de obras médicas do latim para o alemão. É numa destas traduções que se depara numa obra dum escocês chamado Cullen, com uma observação acerca da Chinchona oficinallis (quina), planta utilizada na época para as febres palustres (chamadas de febres intermitentes) e em que Cullen se referia à quina como capaz de produzir os sintomas que curava.

Assim Hahnemann experimenta ele mesmo a quina, verificando o aparecimento dum síndrome de febres intermitentes, mais tarde veio a experimentar várias substâncias e a elaborar o seu primeiro tratado de matéria médica homeopática (a 1ª farmacologia homeopática).

Antes disso, no entanto, seguiram-se cerca de 20 anos de experimentações medicamentosas e o registo dos dados colhidos dessas experimentações (patogenésias), com o auxílio de muitos experimentadores, colaboradores e colegas que o seguiam.

Codificou então o primeiro protocolo experimental científico, 50 anos antes de Claude Bernard (fisiologista), a quem erradamente lhe atribuem o facto. Este protocolo compreendia selecção de grupo experimental, manuseamento de substância, observação e registo puro de factos experimentais. Este foi o primeiro método experimental indutivo alguma vez utilizado.

Codificou também um protocolo de desconcentração ponderal (diluição) de substâncias com vista a atenuar os seus efeitos tóxicos, visto estes não serem específicos (os efeitos tóxicos agudos dos metalóides são muito semelhantes e como tal não serviam à homeopatia por não terem conteúdos diversificados que pudessem servir como elementos de diferenciação) e não particularizarem o remédio na experimentação patogenésica.

Elaborou, por fim, toda uma doutrina de conteúdo vitalista, que compreende as leis da homeopatia e as justifica, tendo como base a teoria vitalísta hipocrática. Esta foi continuada por pensadores como São Tomás de Aquino durante a idade média, até à época de Hahnemann.

No comments yet.

Deixe uma resposta

*