Haja madeira!

“Desde que o mundo é mundo” (como se costuma dizer por aí), o homem edifica construções para várias finalidades, desde a moradia até a produção ou estocagem de alimentos. Claro que lá no início da nossa história, essas “construções” não passavam de um amontoado de galhos e folhagens grandes, como folhas de bananeiras e de palmeiras – e na falta de uma coisa e de outra, uma caverna já servia bem. Com o tempo, os indivíduos foram aprendendo a criar e usar ferramentas, o que possibilitou uma melhora nos procedimentos de construção destes abrigos de maneira geral.

Hoje em dia, o que se vê é um desfile de tecnologias e materiais. Ferramentas de corte, de polimento, de solda, vidros, madeiras, metais, ligas metálicas, guindastes para elevar as peças mais pesadas… Tem de tudo. E não sei se você reparou mas, da lista acima, a madeira é o material usado há mais tempo – na verdade, desde o início da história humana – nas construções. E mesmo sendo um material tão rústico, continua figurando por aí como vigas de suporte, pilastras decorativas, paletes, portas, batentes de janelas, caibros de telhados entre outros usos. E sendo usada há tanto tempo, como será que a disponibilidade da madeira continuou até os dias de hoje?

A capacidade de reposição da natureza

A-natureza-acaba-por-abastecer-as-necessidades-do-homem-e-se-recompõe.Uma parte desse “sucesso” no tempo de duração diz respeito à capacidade que a própria natureza tem de se recompor. A madeira, todos sabem, vem de árvores, organismos vivos com capacidade de regeneração e reprodução, ainda que lenta (umas mais lentas do que as outras). Dessa forma, ao passo em que uma árvore é derrubada, já existem algumas mudas por perto se desenvolvendo, ou sementes caídas há pouco tempo, que germinarão e darão origem a novas unidades.

Esse processo é natural, mas não é rápido. Mesmo o eucalipto, que é uma das espécies arbóreas de crescimento mais rápido, leva pelo menos quatro anos para atingir o ponto de corte. Árvores “de lei” como o mogno e o carvalho podem levar de 15 a 150 anos para atingir o ponto ideal de corte, o seja, quando a árvore terá madeira em quantidade e densidade suficientes para o uso.

Até a famosa era industrial, ocorrida entre os anos de 1760 até 1830 (aproximadamente), a demanda humana por madeira era bem diferente de hoje. O mundo não tinha 7 bilhões de pessoas precisando de casa, emprego, infraestrutura – logo, o setor de construção civil não era tão aquecido como agora. A extração de madeira para os mais diversos fins era feita em uma velocidade que a natureza ainda conseguia acompanhar e repor, especialmente em países com grandes áreas verdes como era o caso do Brasil àquela época.

A necessidade do reflorestamento e da preservação

Mas aí, aconteceu a tal era industrial e a demanda teve um aumento súbito. A criação de linhas de produção em massa de produtos gerou uma necessidade de consumo maior, que retroalimentou a produção em massa, gerou mais riquezas, exportação de produtos, mis produção, mais postos de trabalho, maior necessidade de insumos e portanto maior extração de recursos como água, minerais e… madeira.

Aí a natureza começou a arriar. As áreas desmatadas começaram a aumentar rapidamente – em parte por causa do crescimento industrial, em outra devido ao interesse dos agropecuaristas, que perceberam o aumento na demanda por produtos alimentícios e viram nisso uma boa oportunidade de acúmulo de riquezas. Esse ciclo se repete até hoje, de maneira cada vez mais dramática e rápida.

Movimento-criado-a-favor-da-preservação-do-meio-ambiente.Há algumas décadas, tem havido um movimento no meio científico pela preservação da natureza (talvez você se lembre da convenção pelo meio ambiente batizada de Eco 92, ocorrida no Rio de Janeiro naquele ano). Apesar de enfrentar muita resistência naquela época (afinal, a preservação demandaria mudanças de hábito que quase ninguém estava disposto a adotar), aos poucos a sociedade civil e industrial percebeu que era possível manter a qualidade de vida e dos negócios ao mesmo tempo em que se extraía menos recursos do meio ambiente – inclusive madeira.

Paletes, caixas de transporte de alimentos e outros produtos, taipas, escoras de construção, lápis, celulose e outros passaram a ser feitos com madeira de reflorestamento – normalmente pinus ou eucalipto, que têm crescimento mais rápido e são de custo mais baixo. Leis foram instituídas para proteger espécies nobres de árvores ameaçadas de extinção, determinando o tempo entre o plantio e o corte de cada espécie.

Com estas medidas, ainda que o desmatamento ilegal continue desenfreado, garantiu-se que ao menos a madeira usada em larga escala não seria extraída de maneira prejudicial ao ambiente, já que agora existem áreas de reflorestamento cultivadas especificamente para estas finalidades. Resta agora deter o desmatamento ilegal para a criação de pastagens e áreas de cultivo – mas este é um capítulo à parte.

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