Curaçao: Ilha de Beleza única Localizada no Mar das Caraíbas

A milhares de milhas do Velho Continente, nas águas quentes das Caraíbas, existe uma ilha que parece tirada a papel químico do país da rainha Beatriz. Ilha Curaçao, a mais cosmopolita das Antilhas Holandesas, é uma ilha sui generis, que combina como nenhuma outra o exotismo caribenho com a organização holandesa. É, por estas razões, um local único no mundo.

Sunset waters - an old deserted resort

Quem chega a Willemstad, vindo depois de uma escala em Amesterdão, pode por instantes pensar que não saiu do mesmo lugar. As ruas são imaculadamente limpas, as casas retratam fielmente as construções que ladeiam os canais da capital dos Países Baixos, até porque Willemstad também tem canais de água que a cruzam.

Depois de um olhar mais atento percebemos que não estamos na Holanda. As fachadas de tijolo escuro são aqui substituídas por tons garridos de clara influência caribenha, as gentes mais depressa seriam identificadas como africanos do que como europeus, as frutas e vegetais dos mercados denunciam, pela sua extravagância, uma origem tropical. A prova final de que não estamos na Holanda é dada pelo clima.

O calor é abrasador, o céu não apresenta sequer uma nuvem e o sol brilha de uma forma só possível a uma latitude próxima do Equador. De facto, não estamos no país dos tamancos e da louça de Delft, mas antes num seu departamento ultramarino, algo semelhante ao que Macau já foi para Portugal.

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As Antilhas Holandesas são um conjunto de ilhas localizadas a pouco mais de 100 km da costa venezuelana. São pequenos retalhos de terra envolvidos por um mar cristalino, de um azul tão vivo que chega a ferir a vista. Curaçao, a mais importante delas, é também a capital do território. A outra ilha habitada é Bonaire, situada a algumas dezenas de quilómetros de distância.

Bonaire não arranha sequer o protagonismo de Curaçao, antes preferindo manter a sua condição de paraíso de mergulho. É, se assim se pode dizer, a mais caribenha das ilhas, enquanto que a sua vizinha aparenta ser mais europeia. As ilhas gozam de um estatuto especial dentro do reino de Orange. São totalmente autónomas em matérias internas, sendo os assuntos externos administrados por um representante da Coroa.

View of Curaçao.

Num extremo oposto á Ilha Bonaire fica Aruba, uma ilha que pertenceu de corpo inteiro à Coroa Holandesa até 1986, sendo que agora goza de uma autonomia alargada, apesar de não ser totalmente independente. A ilha-mãe do arquipélago, Curaçao, é também a mais populosa, com cerca de 150000 habitantes.

É uma ilha quase desértica, onde há mais cactos que pessoas. De facto, esta região das Caraíbas tem das menores taxas de pluviosidade do mundo. Esta ausência quase total de chuva é responsável pelo sucesso turístico da ilha. Quem não é seduzido por umas férias de sol e praia num destino onde há quase a garantia de que o tempo não vai pregar partidas?

O fantasma do mau tempo realmente não existe em Curaçao. A outra fonte de riqueza da ilha é a refinação de petróleo vindo da Venezuela.

O melhor de Curação

Sunset waters - an old deserted resort

Curaçao é uma ilha profundamente heterogénea, nomeadamente nas suas manifestações socioculturais. A ilha foi descoberta em 1499 pelo navegador espanhol Alonso de Ojeda, que reclamou este canto das Caraíbas para os reis católicos. Curaçao permaneceu nas mãos da Coroa de Castela até 1634, ano em que os holandeses a tomaram. A ilha foi então passando das mãos da Casa de Orange para a Inglaterra e vice-versa, até que em 1815 ficou definitivamente na mão dos holandeses.

Grande parte da diversidade cultural da ilha deriva destas sucessivas trocas de colonizador, responsáveis pelos povoamentos de diferentes raças, desde os negros africanos, aos espanhóis, passando pelos judeus sefarditas e pelos holandeses. A vinda destes povos relegou para uma condição de minoria os autóctones da ilha, os índios Arawak, que ainda assim conseguiram manter até aos nossos dias as suas tradições culturais.

A esmagadora maioria de descendentes de africanos, cerca de 85% da população, trazidos ao longo dos séculos para trabalhar nas explorações agrícolas da ilha, condiciona fortemente a cultura predominante. São estas raízes africanas que dão cor à ilha e que adoçam a tradicional austeridade dos holandeses.

O resultado é um povo feliz, que encontra na música, na dança e na cozinha crioula as suas principais manifestações culturais. A influência holandesa também se faz sentir, criando uma cultura única, que reúne o melhor dos dois mundos, com ingredientes opostos, que não se anulam mas antes se complementam.

A ilha dos tesouros

Sunset waters - an old deserted resort

A Ilha da Curaçao esconde inúmeros tesouros que vale a pena conhecer. O ponto de partida obrigatório é Willemstad, a sua capital de canais de água salgada e casas multi-colores. Willemstad é uma cidade pequena, que se conhece a pé, de recanto em recanto, passando pontes e cruzando vielas. É uma cidade alegre, que não esconde o seu passado colonial nem a influência dos Orange.

Mas a principal jóia da cidade fica na outra banda. O bairro da Otrabanda, como o nome indica, fica do lado oposto do centro da cidade. O acesso é feito por uma ponte com cerca de 100 metros, que está atrelada a um barco, sendo retirada sempre que um petroleiro chega ou sai do porto. O espectáculo, que se repete várias vezes por dia, cativa invariavelmente os olhos dos habitantes da cidade, que nunca se cansam de o admirar.

Mas Curaçao não se limita a Willemstad, muito pelo contrário. Pela ilha fora sucedem-se os pontos de interesse, desde as recônditas enseadas onde os corsários se escondiam, às tradicionais casas de quinta, os Landhuis, que testemunham a herança holandesa de Curaçao.

Uma destas casas, com as suas garridas cores caribenhas, marca a entrada do Parque Nacional de Christoffel. Aqui, numa área de mais de 2000 hectares, a presença do homem não se faz sentir. É um canto selvagem da ilha, onde os únicos habitantes são os cactos, os flamingos e iguanas, e dezenas de espécies de répteis e pássaros.

Existe uma estrada de terra que percorre o parque, permitindo que os visitantes descubram os seus encantos. De tempos a tempos a estrada toca uma praia deserta. A beleza das praias é tal que se torna impossível não parar para entrar nas águas azul turquesa.

Os amantes da vida submarina encontram nestas praias de areia branca um paraíso para os olhos. Basta entrar alguns metros mar adentro e enfiar a cabeça dentro de água para começar a percorrer um oceanário natural, onde se cruzam peixes de cores que não pensávamos poder existir e corais de todas as formas.

Os mais sortudos podem ver uma tartaruga, uma barracuda ou uma raia. Os mais azarados podem mesmo ficar cara a cara com uma das várias espécies de tubarões que habitam estas águas quentes.

O melhor local para ver estes animais de dentes afiados é o deslumbrante Aquário Marinho de Curaçao. Aqui, na segurança dada pelos vidros grossos dos tanques, os visitantes sentem-se como o capitão Nemo: verdadeiros senhores do fundo do mar.

Para além dos aquários artificiais, este “Sea World” miniatura tem também duas enormes piscinas naturais, nas quais se procura reproduzir o canto caribenho do reino de Neptuno. Neles coexistem milhares de peixes, crustáceos e outras famílias de animais aquáticos, prova de que Curaçao tem tantos tesouros nas águas que a rodeiam como em terra firme. Mas o mundo terrestre está mais acessível a todos quantos visitam esta Holanda tropical.

Os pontos de interesse não se limitam aos monumentos, às praias e às paisagens desérticas do interior da ilha. Do património de Curaçao fazem também parte cada sorriso do seu povo, cada balada que ecoa nas vielas de Willemstad, cada iguaria recheada de sabores que vão de África à Europa. Esses sim, são os principais tesouros da ilha.

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