Novas ideias para novas mentes

Conste nos autos: o tradicionalismo anda perdendo espaço em muitas esferas, e os alunos novos das escolas de sempre já não aceitam mais as velhas ideias. A forma de se dar uma aula de matemática, ou de ensinar o português, ou de falar sobre as estruturas das células tornou-se enfadonha para estas mentes hiperconectadas, pensantes desde o nascimento, mais perspicazes do que as mentes de seus pais e avós. Não, meus amigos… o que era válido no nosso tempo virou objeto exposto no museu imaginário desta turma mais nova.

Se antigamente a estratégia de dizer “estude porque vai cair no vestibular” era suficiente (ou nem era, mas a nossa passividade nos fazia aceitar), hoje em dia uma resposta como essa suscita debates esquentados em sala de aula. E se antes estudar textos imensos sobre a Inconfidência Mineira era um fardo a ser carregado, em algumas escolas já se viu alunos sugerindo intercâmbios culturais em turma para o berço daquela revolução, para aprender in loco uma matéria que tem tudo para chamar a atenção do aluno mais resistente. Os alunos de hoje têm sido chamados de desligados e preguiçosos, mas talvez o problema maior seja a nossa preguiça de nos adaptarmos às novas mentes que chegam às escolas.

Estudantes Intercambistas

Pesquisa no Google?

Isso é preciso reconhecer: peça a um aluno para pesquisar sobre um tema e a primeira coisa que ele vai fazer é “dar um Google” no assunto. Na época de muitos de nós, o que existiam era bibliotecas e enciclopédias, mas, ora, nós vimos a internet chegar! E sabemos que praticamente todo o conhecimento humano está armazenado nessa nuvem que ninguém vê mas todo mundo sabe onde está. Então… qual o problema em “dar um Google”?

O problema é saber procurar em fontes seguras, e isso nossos alunos de hoje não sabem. Confiam cegamente em enciclopédias participativas (sabe de qual estamos falando, não é?) sem certificar aquela informação – e acabam trazendo dados falsos para a sala de aula. Se eles souberem pesquisar por artigos científicos e revistas no mesmíssimo mecanismo de busca, se habituarão a refinar suas fontes cada vez mais, e certamente enriquecerão nossas salas de aula com trabalhos cada vez mais bem embasados. Esta é uma contribuição importante que os professores podem dar: a troca, o intercâmbio de experiências com pesquisa no ambiente virtual que nós já temos, mas eles ainda não – e aquelas que eles já têm e nós é que ainda não. Ora, a aprendizagem é uma via de mão dupla!

Desconectados

Não, não estamos falando de celular ou computador sem internet. A desconexão que mencionamos aqui é muito mais grave: entre alunos e professores.

Quem aqui fez magistério precisa reconhecer que o que nos ensinaram no curso está cada dia mais distante da realidade atual. Aquelas metodologias pedagógicas não atraem mais a atenção dos alunos, não os instiga, não os faz pensar. Professores com muitos anos de formação e que não se atualizaram mais são absolutamente resistentes à nova mentalidade dos alunos de suas turmas, e ainda tendem a tratá-los como compartimentos de carga onde as muitas informações devem ser estocadas para que sejam recuperadas a qualquer tempo. Não importa sua compreensão, apenas seu armazenamento. Talvez uma ou outra conexão com outras informações.

Mas a verdade é que a humanidade evolui, e não só no campo dos conhecimentos, mas também, no seu próprio jeito de ser. Não éramos, mas nos tornamos consumistas. Não éramos, mas nos tornamos conscientes da nossa participação na conservação do meio ambiente. Não éramos, mas nos tornamos mais politizados. Por que os alunos e seus olhos e cérebros ávidos não estariam mudando com o tempo, também? O processo de ensino-aprendizagem precisa ser um intercâmbio, uma via de mão dupla, jamais uma via de uma mão só, onde aparentemente só que tem algo a ensinar é o professor. O crescimento é mútuo, e o apego ao método tradicional tem provocado notas ruins e falta de interesse em aprender. É um assunto sério e que precisa ser discutido e aplicado.

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