O brasileiro e o empreendedorismo

É fato conhecido pelo mundo afora: se tem um povo empreendedor por natureza, é o brasileiro. A criatividade em montar negócios que expõem velhos produtos mas de maneira inovadora, ou em criar novos produtos que ninguém ainda havia concebido dá ao brasileiro um arsenal de possibilidades. Somos conhecidos como um povo inventivo, que bola soluções às vezes mirabolantes, às vezes muito simples e práticas, para problemas antigos. Essas soluções maravilhosas normalmente começam como pequenos testes, em casa mesmo e que, quando o potencial de sucesso daquela invenção é percebido pelo “inventor”, logo ele pensa em comercializá-la.

O-brasileiro-sempre-dá-um-jeito-de-fazer-as-coisas.Como tudo que começa assim, como um improviso para resolver um problema pessoal, a escala de produção é pequena, já que normalmente ela ainda é artesanal. Um cantinho da casa já resolve (muitas vezes, sobra pra garagem ou pro quartinho de despejo). Um lugarzinho para, quem sabe, ligar alguma máquina – e uma prateleira ou duas para guardar as matérias-primas e as peças já prontas. A divulgação inicial é discreta, só um comentário com os amigos mais próximos e parentes; se por acaso alguém se interessar, já tem uma ou duas unidades prontas e, caso mais alguém queira, faz-se uma nova em um ou dois dias. Mas se a idéia realmente for boa e ela pegar por aí, a coisa muda de figura. Passa a ser necessário produzir mais unidades no mesmo período de tempo, o que demanda mais máquinas e mais espaço – inclusive para estocar essas unidades. E se a Idea for muito, mas muito boa MESMO, logo vai ser preciso alugar um galpão, organizá-lo em setores e, quem sabe, começar a mobilizar as unidades vendidas usando paletes e empilhadeiras. Já pensou?

Negócio bem sucedido: um sonho genuinamente brasileiro

É-o-sonho-de-todos-abrir-o-próprio-negócio.Por ser um povo tão inventivo e com tanta vontade de ser o próprio patrão, o brasileiro acaba sendo, também, um sonhador nato. Mas só ser sonhador não basta no mundo dos negócios – na verdade, o sonho é só o estopim de todo o processo. Tão importante quanto o sonho e a idéia são o planejamento e a organização. E é nesse ponto em que os brasileiros são mais caprichosos em errar: sonham alto sem pensar em possíveis quedas – e quando acontece alguma coisa errada, não estão preparados. E caem.

Segundo o Sebrae, mais de um terço dos novos negócios iniciados no Brasil, sejam eles inovadores ou não, fecham antes de completar o primeiro ano – e dos que conseguem sobreviver até o primeiro aniversário, muitos outros baixam as portas antes do segundo. Os motivos são inúmeros mas o principal é a ingerência (má gestão por inabilidade, falta de práticas organizacionais ou corrupção). Essas empresas, em sua maioria, não havia traçado um plano B – e num mundo globalizado como o nosso, em que uma crise na Sibéria consegue desencadear uma em solo brasileiro, todo cuidado é pouco e uma certa dose de pessimismo (que prefiro chamar de realismo) vai muito bem. Esse plano B é uma espécie de ensaio teórico onde se prevêem várias situações negativas como alta meteórica da inflação, crise no setor produtivo, escândalos políticos que afetem a confiança internacional em negociar com empresas brasileiras, etc. Nesse ensaio, o que se vê é o seguinte: “caso aconteça um desses problemas, como vamos agir?” “Teríamos caixa para suportar quanto tempo com as vendas em baixa?” “Há como diversificar nosso público comprador?” “Há como baratearmos nossa produção para reduzir os preços e recuperar as vendas?” E outras perguntas do tipo.

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