Palácio de Fronteira

Português: Palácio do senhor Marquês de Fronte...

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O palácio de Fronteira: Santuário de Arte e História. Há já alguns anos que Fernando Mascarenhas, marquês de Fronteira e Alorna, dedica a sua vida ao restauro da sua residência familiar, com o objectivo de lhe devolver o seu esplendor de outrora.

Para tal, constituiu também os seus bens numa fundação cultural e histórica para fazer reviver os séculos de Arte e História aos quais estão estreitamente ligados os seus ilustres antepassados, desde 1670. O resultado é magnífico.

No centro do Largo de São Domingos de Benfica em Lisboa, um porto de beleza, santuário de história, arte e requinte, reencontra pouco a pouco o seu esplendor de outrora. Há já alguns anos que Fernando Mascarenhas, marquês de Fronteira e Alorna, tem empreendido gigantescas obras de restauro para salvar o palácio familiar da ruína. Muito activo no seio da fundação que criou em 1989, o dono da casa desenvolve igualmente entre as suas paredes actividades culturais diversas: visitas guiadas ao palácio e às galerias de pinturas e esculturas portuguesas, abertura dos jardins ao público, conferências e colóquios sobre temas históricos e culturais.

Quem melhor que o actual marquês de Fronteira poderia encarregar-se de tão nobre missão educativa? Os membros da sua família têm participado, desde o século XV, no enriquecimento político, literário e artístico do país. Basta que Fernando Mascarenhas percorra a sua árvore genealógica para seguir os meandros da História de Portugal em meio milénio. A epopeia desta ilustre linhagem começa em 1496, quando o rei João II nobilita o seu capitão de cavalaria D. Fernão Martins em reconhecimento da sua coragem militar.

Acumulação de Títulos

Distinguindo-se em vários domínios, as gerações sucessivas enriquecem a família Mascarenhas com novos títulos de nobreza. Um deles, o décimo sexto governador do Brasil, torna-se em 1638 no primeiro conde da Torre. O título de marquês de Fronteira entra na família em 1670. O primeiro foi um dos generais da Guerra da Independência contra a Espanha e ministro de D. Pedro II.

Os títulos de conde de Coculim, conde de Assumar e marquês de Alorna juntam-se respectivamente em finais do século XVII, início do século XVIII e em 1750 aos inúmeros títulos de nobreza da família Mascarenhas. O primeiro conde de Coculim, o primeiro marquês de Alorna e o terceiro marquês de Távora foram vice-reis da Índia. O sétimo marquês de Fronteira foi um dos generais da Guerra Civil do lado liberal e as memórias que redigiu continuam a ser uma referência no saber do século XIX português.

Personagens influentes nos domínios militar e, posteriormente, político e diplomático, os Mascarenhas deram também a Portugal artistas e homens de letras. As conferências da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna dedicaram, por exemplo, várias semanas ao estudo crítico das obras poéticas da quarta marquesa de Alorna. Frequentemente comparada à marquesa de Sévigné, ela introduziu o Romantismo literário em Portugal.

Através de gigantescas obras de restauração do palácio e da organização de uma Fundação cultural muito activa, o actual marquês de Fronteira consegue ressuscitar os seus ilustres antepassados e o esplendor do seu palácio. Deve-se ao primeiro marquês de Fronteira a construção, por volta de 1670, do palácio que, desde então, tem sido propriedade da família Mascarenhas. Esplêndido exemplo do Renascimento italiano pela arquitectura e do início do Barroco português pela decoração de azulejos, o palácio foi engrandecido pelo quinto marquês de Fronteira, entre 1770 e 1780.

Os painéis que pendem sobre os azulejos, tal como os estuques dos períodos Rococó e Neo-Clássico, foram redecorados nesta época. Há dezenas de anos que Fernando Mascarenhas dedica um cuidado minucioso, uma devoção quase religiosa, ao restauro dos quadros, à decoração dos estuques e à nova coloração dos azulejos.

O resultado é sublime. Com a beleza das divisões renasce a memória, vivaz e eloquente, de uma dinastia histórica.

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