Quem corre mais riscos de trombose venosa profunda?

Quem corre mais riscos de trombose venosa profunda?

As condições seguintes aumentam o risco de trombose:
– Ter sofrido uma TVP ou embolia pulmonar antes
– Ter sido submetido recentemente a uma cirurgia – especialmente colocação de prótese da anca ou joelho
– Doença cardíaca severa
– Paralisia das pernas
– Doença maligna (cancro)
– Gravidez ou parto recente
– Contraceptivos com estrogénio ou tratamentos de substituição hormonal – estes tratamentos implicam um risco menor do que a pílula contraceptiva (as pílulas que contêm apenas progesterona não aumentam o risco).
– Obesidade (ter um peso excessivo)
– Algumas doenças sanguíneas

Os riscos de TVP são mais elevados para pessoas que combinam mais de um factor. A probabilidade das varizes aumentarem o risco é quase nula. Está comprovado que aumentam o risco de TVP após uma cirurgia abdominal complexa, mas o mesmo não acontece em outras circunstâncias. As pessoas com varizes não devem preocupar-se com as longas viagens, mas devem ter em consideração as precauções descritas em seguida.

Qual é o grau de risco?

Para pessoas sem qualquer um dos factores de risco mencionados acima, o risco de TVP (mesmo em viagens de longa distância) é mínimo – um em centenas. Para pessoas com factores de risco, que não tomam qualquer precaução em relação à trombose, o risco de TVP detectado em scanners especiais é de 1 em 20 em viagens de longa distância (mas, mesmo neste caso, a maioria das tromboses não são muito graves e não causam problemas).

O que pode ser feito para diminuir o risco de trombose venosa profunda?

Há evidências de que usar meias de compressão graduadas abaixo do joelho reduz o risco de TVP em pessoas com factores de risco especiais. Uma vez que algumas pessoas sem qualquer factor de risco podem sofrer uma TVP ou uma embolia pulmonar, como resultado de uma longa viagem, não há evidências seguras sobre outras medidas que reduzam o risco. No entanto, com base nas causas conhecidas de TVP e nos eficazes métodos de prevenção utilizados nos hospitais, são apresentadas em seguida algumas precauções a tomar, especialmente em voos de longa distância ou outras viagens de longa duração.

Movimente as pernas

Não se sente com as pernas dobradas durante muitas horas. Estique as pernas de vez em quando e faça movimentos verticais (para cima e para baixo) e circulares com os pés. Esticar e mover as pernas impede a estagnação do sangue nas veias profundas da barriga da perna e é a coisa mais simples e eficaz que pode fazer. Ande pelo corredor do avião; em viagens na estrada, sempre que é feita uma paragem para descanso, saia e ande.

Não fique desidratado

Beba muitos líquidos – água é o ideal. Evite álcool em excesso, pois causa desidratação.

Use meias de compressão

As meias de compressão graduadas reduzem o risco de TVP. Ajudam, também, a prevenir o edema do tornozelo que acontece a muitas pessoas em longas viagens.

– As meias abaixo do joelho são mais confortáveis e parecem ser tão eficazes como as meias calças.
– Existem diferentes classes de meias de compressão: as meias de classe 1 e 2 são adequadas à maioria das pessoas (as de classe 3 são excessivamente fortes para este proposito).
– As meias de compressão podem ser prescritas pelo médico, se houver uma indicação clínica. Podem ser compradas em farmácias, lojas de utensílios médicos e, agora, em algumas outras lojas como por exemplo, em aeroportos.
– Estas meias existem em vários tamanhos, por isso, é necessário medir a perna para se comprar o tamanho
certo.
– As pessoas que têm problemas arteriais nas pernas devem procurar aconselhamento médico antes de usar meias de compressão.

Respirar fundo

Respirar fundo de vez em quando pode ser uma pequena ajuda para levar o sangue a circular pelas veias.

Aspirina

Tomar uma dose mínima de aspirina (um comprimido de 300 mg por dia) pode ser uma forma de protecção extra contra a TVP. Se for o caso, é aconselhável começar a tomar a aspirina diariamente alguns dias antes de viajar.

Anticoagulantes

Alguns fármacos anticoagulantes (por exemplo, injecções de heparina ou varfarina, administradas via oral) podem ser aconselháveis para pessoas com condição clínica que envolva elevado risco de TVP. Este tipo de tratamento tem de ser sempre feito mediante prescrição médica.

Tromboflebite (flebite)

A tromboflebite afecta as veias superficiais – especialmente as veias varicosas (varizes). As veias ficam inflamadas, com coágulos sanguíneos no seu interior. As veias endurecem e tornam-se dolorosas e a pele que as cobre inflama. As veias e a pele podem voltar ao normal.

Contudo, por vezes as veias permanecem bloqueadas, havendo um endurecimento e fibrose dessa zona e um escurecimento permanente da pele que cobre essa área. Os exames feitos a pessoas com flebites mostraram que, em alguns casos, desenvolvem trombose nas veias profundas (TVP), mas a ocorrência de uma TVP grave é invulgar.

Uma excepção é quando a flebite se estende pela veia safena interna até à zona da virilha, onde o risco de TVP é maior, podendo ser necessário tratamento urgente (laqueação da veia safena interna). Na maioria dos casos a tromboflebite superficial não é grave e um tratamento simples com analgésicos e aplicaçoes tópicas (compressas ou pomadas) ajuda a aliviar os sintomas. Uma grande parte dos médicos, preferem usar o termo “flebite”, para evitar qualquer confusão entre esta e a TVP (mais grave).

Confundir outros problemas com flebite

Em pacientes com alterações de pele ou lipodermatosclerose, uma inflamação da pele ou gordura proxima do tornozelo podem ser confundidas com flebite. É muito importante reconhecer a diferença, pois os pacientes com lipodermatosclerose precisam de tratamento para impedir que o problema piore.

Hemorragia das varizes

A hemorragia não tem qualquer relação com a flebite ou a TVP, mas deve ser aqui mencionada. A hemorragia das varizes é um problema pouco frequente, mas é preocupante quando acontece. Geralmente, a hemorragia provém de uma veia saliente da parte inferior da perna, revestida por pele fina e danificada e, raramente, provém de varizes (por maiores que sejam) revestidas por pele saudável.

As medidas de emergência para parar a hemorragia são: sentar ou deitar no chão, elevar a perna (por exemplo, pousando-a numa cadeira) e fazer pressão na zona da hemorragia (local que sangra). Desta forma, pode controlar a hemorragia, porque a pressão nas veias baixa. Se houver alguém consigo que possa levantar-lhe a perna e fazer pressão é melhor ainda.

Se estiver sozinho deve deitar-se no chão, pousar a perna numa cadeira e elevar um pouco o tronco para fazer pressão sobre o local da hemorragia. Se tiver dificuldades em movimentar-se, fazer apenas pressão ajudará a controlar a hemorragia. Nunca faça um torniquete, que so piorará a hemorragia.

Depois de fazer pressão durante cerca de 15 minutos, cubra a área que sangrou com um penso e ligue a
perna com uma ligadura apertada. Para evitar que a hemorragia se repita, uma cirurgia das varizes é geralmente o tratamento mais indicado.

PONTOS CHAVE
– A trombose venosa profunda (TVP) não é o mesmo que a flebite (tromboflebite) nas varizes.
– Ter varizes não parece aumentar o risco de TVP, exceptuando os casos de cirurgias complexas.
– O risco de TVP em viagens longas é muito pequeno para grande parte das pessoas, incluindo pessoas com varizes; as viagens de mais de cinco horas sentado num lugar apertado são as de maior risco.
– As pessoas que correm um maior risco são: as grávidas, os obesos, pessoas que tomam pílula, ou que têm cancro, problemas cardíacos ou sanguíneos.
– A precaução mais importante é mover as pernas regularmente.
– Outras formas de diminuir o risco são: evitar a desidratação, usar meias de compressão abaixo do joelho.
– Habitualmente, a flebite não é perigosa; raramente leva a TVP grave ou causa embolia pulmonar.
– A hemorragia das varizes é pouco comum; pode ser controlada por elevação da perna e aplicação de pressão.

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