Vale do Lobo – Royal Golf Course

Vale do Lobo – Royal Golf Course – Sem desafios nada pode ser alcançado

Quando, no início de Dezembro, Colin Montgomerie, Jarmo Sandelin, Laura Davies e Michael Campbell pisaram o Royal Golf Course para jogar o Skins Game pela primeira vez em Portugal, sabiam à partida o que tinham pela frente.

Um campo onde entram em jogo os obstáculos de areia, as manchas de água, os shots sobre falésias, tendo como denominador comum a excelência das condições de manutenção e do clima da costa algarvia. Em Vale do Lobo, reúnem-se todos os ingredientes para uma receita de sucesso e que nada faziam prever a intempérie que assombrou o jogo e o condenou ao adiamento.

Vale Do Lobo Golfcourse, Algarve, Portugal

Sem ser um campo comprido, o Royal Golf Course prima pelo aproveitamento das barreiras naturais e do solo arenoso típico algarvio. Com um traçado original de Sir Henry Cotton, o campo de Vale do Lobo beneficiou de um upgrade em 1997 assinado por Robert Trent Jones, que estendeu o loop de 9 buracos para os actuais 18.

As honras da casa são feitas por um par 5 que se estende por 430 metros, avistados pelos tees elevados. Os bunkers a meio do percurso e em defesa do green são uma amostra das barreiras de areia presentes ao longo do circuito, algo também presente no buraco 6. Neste par 4, o primeiro drive deve evitar o bunker à esquerda, ao que se segue um shot longo de ataque ao green. Porém, são os dois pares 3 dos primeiros 9 que mais fascinam os jogadores.

No número 7, com 150 metros, o primeiro shot é feito sobre um lago, mas com a força necessária para atingir o green sem o ultrapassar, sob pena da bola cair no bunker que protege a sua retaguarda. O outro par 3 é o buraco 9, também ele dominado por um lago que cerca o green e que exige drives certeiros.

Vale do Lobo Old Course

A segunda volta é dominada pelos pares 4. Desde logo, o número 10 com 330 metros exibe um dogleg à direita e requer uma aproximação cuidada ao green bem protegido e com uma entrada estreita. Segue-se o buraco mais comprido do layout, com 485 metros.

Neste par 5, a estratégia adoptada no segundo shot é fundamental: ou se ataca o green, tendo em conta o lago que defende o lado direito do fairway e do green, ou opta-se por um shot controlado para o canto do dogleg. Mas é o 16.º, um par 3 com 205 metros, o buraco mais emblemático do Royal Golf Course.

Apesar de algumas alterações ao desenho original, o antigo 17.º mantém a personalidade com que Sir Henry Cotton o concebeu. Um strocke over de mais de 200 metros é necessário para ultrapassar os três abismos das encostas até se alcançar o green. Os segundos 9 são encerrados por um par 4 ladeado por pinheiros onde a aproximação ao green é a maior dificuldade.

Ocean Golf Course - Vale Do Lobo - Algarve

Embora para alguns não esteja à altura do estandarte do value for money que tanto defende, a verdade é que o Royal Golf Course é um dos mais aplaudidos campos de golfe em Portugal. Um reconhecimento que não vem em vão e que mantém intacto o prazer de jogar golfe.

Ficha Técnica

Percursos: 18 buracos
Comprimento: 6050 m
Par: 72
Arquitecto: Sir Henry Cotton e Rocky Roquemore
Director: John Pinckney
Profissional: Steve Walker
Contactos: 289 353463 (tel.), 289 353003 (fax) e [email protected]
Serviços: campo de prática, putting green, loja de golfe, restaurante e bar, piscina, campos de ténis e praia

Vale do Lobo, Algarve

Me @ Ocean View Course, Vale do Lobo, Algarve, Portugal

Com o objectivo de projectar o Algarve como um dos destinos de eleição para a prática de golfe off season, realizou-se no início de Dezembro o Skins Game, que reuniu quatro dos maiores nomes do golfe profissional.

Apontado como um percurso curto para profissionais de tal gabarito, o Royal Course acabou por ser o grande aliado de Laura Davies, que, embora seja uma das senhoras que bate mais comprido no mundo, se propunha aqui a jogar de igual para igual com os homens. O resultado foi a vitória no pro-am.

Mas a chuva intensa e a necessidade de divulgar uma imagem do Algarve o menos ensopado possível, condenou à disputa de apenas 4 dos 18 buracos.

Opinião do profissional Daniel Silva

Injustiças de Rocky Roquemore

Daniel Silva é uma voz crítica em relação às ideias de Rocky Roquemore para a concepção de campos de golfe. O Royal Golf Course não é excepção, embora a fidelidade ao desenho original de Sir Henry Cotton tenha atenuado o seu tom crítico.

“Conheci o campo antes das modificações e, em relação ao traçado actual, é nítida a melhoria geral. Porém, os greens repetitivos, o recurso aos bunkers em demasia e a inclinação dos fairways contrária ao que se poderia estar à espera – marcas típicas de Rocky Roquemore – privam o jogo de algum prazer.”

Vale do Lobo Ocean View Golfcourse

A impressão geral do campo é a de que “possibilita bons shots e tem algumas situações difíceis, mas a maior injustiça encontra-se nos greens inclinados, sendo prova disso a curta margem para se deslocar o buraco no green”. Quanto ao buraco mais emblemático, “é sem dúvida o par 3 número 16, provavelmente o mais fotografado em toda a Europa”.

No entanto, também este foi alvo da renovação do campo, tendo perdido algumas das suas características. “O green é largo mas peca por ser estreito e pela inclinação irreal, sendo preferível ter-se optado pelo green de dois níveis.”

Mas em termos de evolução, “foi a nível das infra-estruturas que o Royal Golf Course registou o maior salto”, o que a par das “óptimas condições de manutenção”, fazem a excelência deste campo.

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